Todos os dias, a formiga chegava cedinho à rádio e pegava duro no trabalho, arrumava a mesa de som, limpava o estúdio para editar matérias e operar programas ao vivo, para mais um dia de programa. Só ia pra casa muito tarde. A formiga era produtiva e feliz. O coordenador de emissora, Senhor Marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. Colocou uma barata, que tinha muita experiência em relatórios, mas não tinha sentado em uma mesa de áudio, como supervisora de operação e também artística, o que realmente ele sabia fazer. E o IBOPE nada...
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga, e começou mudando o horário da formiga toda semana. Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e a organizar suas "viagens" na programação da emissora e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas da emissora. Dona Lesma, esposa do seu Marimbondo, vendo as mudanças, tratou de também tirar casquinha da formiga e começou criar tarefas para ela e a fazer barulho para esconder o silêncio de sua incapacidade para não pensarem que ela só estava na emissora por viver à sobra do marido. E o IBOPE nada...
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das audiências que eram mostradas em reuniões e mais reuniões que duravam o dia inteiro. A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida. Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O marimbondo, sobrinho político e nunca trabalhou numa emissora, concluiu que era o momento de criar a função de gestor de emissora para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que também nunca pisou em um emissora antes, mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na emissora anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias na transmissão e pesquisa de opinião linear e um controle do orçamento qualitativo que aplicara na pensão onde trabalhava anteriormente. A formiga já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais aborrecida. E o IBOPE nada...
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de audiência prévia. Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora que nunca tinha trabalhado em rádio, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu seis meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta emissora! E adivinha quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro! Porque ela andava muito desmotivada e aborrecida nos estudio, toda manhã.A esposa, dona Lesma, continua em seu silêncio e apenas fazendo barulho no ouvindo das coitadas e novas contratadas formigas e sentada à sobra do marido, hoje, diretor da emissora.
E o IBOPE nada...
Uma pergunta com ironia: Você já trabalhou na Rádio Rádio Roquette???
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